Cinco pistas para um casamento feliz

rezar_pelas_criancas

1. Ninguém pode saciar plenamente o nosso coração.

A primeira advertência pode parecer desalentadora, mas é, sem dúvida, a mais importante de todas: ninguém - absolutamente ninguém - pode saciar o nosso coração. Muitas pessoas hoje casam-se para “serem felizes”, com a esperança de que os seus maridos e as suas esposas as completem e construam para elas um “pequeno paraíso” nesta terra. Após um tempo, quando elas caem em si e percebem que o paraíso prometido não veio - e nem virá -, aparece a desilusão: afinal, o que é que correu mal? O casal que entra nessa crise deve entender que nenhuma criatura pode saciar a sede de infinito do homem. Este só se realiza plenamente quando encontra o único Outro que o transcende: Deus.

“Fizestes-nos para Vós, Senhor, e inquieto está o nosso coração, enquanto não repousa em Vós”, escreveu Santo Agostinho. Mais do que ser companheiro para uma pessoa do sexo oposto, o ser humano foi “constituído à altura de 'companheiro do Absoluto'”, como ensinou S. João Paulo II. Mais do que um pacto matrimonial, o homem foi feito para uma aliança eterna com Deus.

2. Homens e mulheres são real e profundamente diferentes.

Nenhuma ideologia pode obscurecer este facto inscrito na natureza humana: homens e mulheres são real e profundamente diferentes. Para explicar a diferença entre os sexos, o escritor norte-americano John Gray chegou a colocar a origem dos homens e das mulheres de planetas diferentes. No seu famoso «best-seller» “Os Homens São de Marte, as Mulheres São de Vénus”, ele conta que “marcianos” e “venusianas” viveram por muito tempo em paz, até que “os efeitos da atmosfera da Terra assumiram o controle, e certa manhã todos acordaram com amnésia”: tinham-se esquecido de que vieram de planetas diferentes e, por isso, passaram a viver constantemente em conflito. Pela história da Criação, nós sabemos que Deus criou o homem e a mulher no mesmo planeta, mas com as suas diferenças, e que a “amnésia” que iniciou o referido conflito nada mais é do que o pecado original, que “teve como primeira consequência a ruptura da comunhão original do homem e da mulher”.

Não se pode, porém, restaurar a harmonia entre o casal negando as diferenças evidentes entre os sexos, como que numa atitude de rebeldia contra o Criador. Mais do que uma história dos contos de fadas, o cavaleiro que, com sua armadura reluzente, mata o dragão e liberta a princesa do alto do castelo, é uma bela imagem de como o homem, por exemplo, é chamado à bravura. Na vida ordinária, isso significa enfrentar o mundo, trabalhando e provendo o sustento da casa e a segurança da família.

Para a mulher, a figura de mãe não é menos heróica. Significa a doação de amor para que os seus filhos se formem humanamente e recebam uma boa educação. Infelizmente, o feminismo tem introduzido na cabeça das mulheres que ser mãe é uma desgraça e que elas só serão felizes quando forem “iguais” aos homens. A realidade, porém, é que, após a tão sonhada “conquista do poder” das mulheres, estas não encontraram a felicidade, mas tão somente a desilusão e a frustração de uma vida reduzida ao serviço do mercado e do seu próprio egoísmo. Como disse G. K. Chesterton, “o feminismo trouxe a ideia confusa de que as mulheres são livres quando servem aos seus empregadores, mas são escravas quando ajudam os seus maridos”.

3. Ame a sua mulher ou o seu marido como Cristo amou a Igreja.

Na Carta aos Efésios, S. Paulo exorta os maridos a amarem as suas esposas como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela. Com isso, demonstra que o amor não é um “sentimentalismo barato”, baseado no fundamento instável das emoções, mas uma determinação firme , baseada na rocha sólida da vontade. O pacto matrimonial é uma aliança de sangue, pela qual os esposos dizem um para o outro: “Eu posso ter de derramar o meu sangue, mas não desisto de ti”. Não sem razão o autor do Cântico dos Cânticos canta que “o amor é forte como a morte”.De facto, o próprio Jesus, no acto mais extremo de amor, morreu pelos nossos pecados. Seguindo o seu modelo, todo casal que sobe ao altar deve pensar que está a subir o Calvário, a fim de oferecer a Deus o sacrifício de si mesmo, pela salvação do outro.

4. Deus deve ser o centro das vossas vidas e dos vossos dias.

Não adianta morrer um pelo outro se, primeiro, não se ama a Deus. Por isso, Ele deve ser o centro das vossas vidas e dos vossos dias.

Para amar alguém, primeiro, é preciso conhecê-lo. O que se diria de um casal de noivos que, estando prestes a se casar, não soubessem nada um do outro e não fizessem o mínimo esforço para se conhecerem? Com razão se poderia chamarlhes loucos, pois querem permanecer unidos até o fim da vida com alguém quem nem mesmo conhecem. Ora, se para o casamento terreno, que finda com a morte, é preciso preparar-se com cuidado e empenho, quanto mais para o encontro com Deus, a quem estaremos unidos não por um dia ou uma vida, mas por toda a eternidade!

Por isso, é importante estudar as verdades de nossa fé, contidas principalmente nos Catecismos e nos Evangelhos, sem jamais descuidar a oração, pela qual o próprio Deus Se revela e Se comunica a nós.

Uma vez conhecido o grande amor com que Deus nos amou, então, é preciso que o casal O ame por sua vez, mudando toda a sua rotina e a sua vida para colocá-Lo no primeiro lugar de tudo. Se de manhã se acordava a correr para ir para o trabalho, urge levantar-se um pouco mais cedo, para pedir a bênção de Deus para o dia que começa - e, quem sabe, até participar da Santa Missa. Se à noite a família se reunia para assistir à TV e acabava a ver programas que não prestam - como são as novelas -, por que não começar a rezar o Terço (ou pelo menos algum mistério) em família? Se o domingo tem sido tão somente o “feriado”, com passeios e viagens, está na hora de transformá-lo realmente em “dia do Senhor”, levando toda a família para um encontro com a melhor de todas as famílias, que é a Igreja, na Santa Missa dominical.

Lembrem-se sempre que a vossa aliança matrimonial é, antes de tudo, um compromisso com Deus. Dois sozinhos não são capazes de levar adiante um casamento; ao contrário, “a corda tripla não se parte facilmente”.

5. Estejam sempre abertos ao dom dos filhos.

Quando um casal deliberadamente se fecha à transmissão da vida, inicia um círculo de egoísmo e morte que o destrói pouco a pouco a si mesmo.

Para entender a deste ensinamento, basta olhar para a natureza do acto conjugal, que foi concebido pelo Criador tanto para unir os esposos quanto para os tornar participantes de Seu poder criador, na geração dos filhos.

Separar essas duas dimensões constitui uma manifestação de egoísmo e falta de amor. Por isso a Igreja condena os métodos contraceptivos, que vão contra a própria verdade da união conjugal. Como ensina S. João Paulo II, “o acto conjugal destituído da sua verdade interior, porque privado artificialmente da sua capacidade procriadora, deixa também de ser um acto de amor”.

É preciso desmascarar a ideia, que alcançou sucesso com a «revolução sexual», de que o sexo seria como um parque de diversões, o qual se buscaria tão somente para o prazer próprio e para a satisfação dos próprios caprichos. Isso não é o sexo, mas a sua perversão. A relação sexual foi concebida por Deus para unir os esposos, mas também para gerar vidas. Por isso, sexo significa, antes de qualquer coisa, abertura à vida e sinal de amor.

O salmista diz que “os filhos são a bênção do Senhor”. Mesmo que a sociedade de hoje não os veja assim, as palavras do Espírito Santo permanecem. Continua a valer a pena esperar de Deus o número de filhos que Ele quiser dar, no contexto de uma paternidade consciente, ao invés de reduzirmos o número de crianças à medida do nosso comodismo.

As pistas acima pretendem ser apenas breves conselhos. Mas, não custa nada lembrar de novo que, a plena felicidade, o ser humano só a alcançará no Céu, quando celebrar o matrimónio com o único e verdadeiro Esposo das nossas almas: o próprio Deus.

Fonte:  http://www.catolicismoromano.com.br/content/view/5108/29/ (adaptado)