As obras de misericórdia, segundo o Catecismo de São Pio X:

 

Obra de misericórdia é aquela com que se socorre o nosso próximo nas suas necessidades corporais ou espirituais.

As obras de misericórdia são catorze: sete corporais e sete espirituais, conforme são corporais ou espirituais as necessidades que se socorrem.

As obras de misericórdia corporais são:

Dar de comer a quem tem fome;
e Dar de beber a quem tem sede;
Estas duas primeiras complementam-se e referem-se à ajuda que devemos procurar em alimento e outros bens para os mais necessitados, para aqueles que não têm o indispensável para poder comer cada dia. Jesus, como recolhe o evangelho de São Lucas recomenda: «Quem tem duas túnicas dê uma ao que não tem; e quem tem que comer, faça o mesmo. (Lc 3,11).

Vestir os nus;
Esta obra de misericórdia é dirigida a satisfazer outra necessidade básica: o vestuário. Muitas vezes é-nos facilitada com as recolhas de roupa que se fazem nas Paróquias e outros centros. À hora de entregar a nossa roupa é bom pensar que podemos dar do que nos sobra ou já não nos serve, mas também podemos dar do que ainda é útil. A carta de S. Tiago anima-nos a ser generosos: «Se um irmão ou uma irmã não têm que vestir e carecem de sustento diário e algum de vós lhe diz: "'de em paz, aquecei-vos ou fartai-vos", mas não lhes dais o necessário para o corpo, de que é que serve?- (Tg 2, 15-16).

Dar pousada aos peregrinos;
Na antiguidade dar pousada aos peregrinos era um assunto de vida ou de morte, pelo complicado e arriscado das travessias. Poderá tocar-nos receber alguém na nossa casa, não por pura hospitalidade de amizade ou de família, mas por alguma verdadeira necessidade.

Assistir aos enfermos;
Trata-se de uma verdadeira atenção aos enfermos e idosos, tanto no aspecto físico, como em fazer-lhes um pouco de companhia. O melhor exemplo da Sagrada Escritura é o da Parábola do Bom Samaritano, que curou o ferido e, ao não poder continuar a tratá-lo directamente, confiou os cuidados de que necessitava a outro a quem ofereceu pagamento. (ver Lc. 10.30-37).

Visitar os presos;
Consiste em visitar os presos e prestar-lhes não só ajuda material mas assistência espiritual que lhes sirva para melhorar como pessoas, para se emendarem, aprender a desenvolver um trabalho que lhes possa ser útil quando terminem de cumprir o tempo imposto pela justiça, etc. Significa também resgatar os inocentes e sequestrados. Na antiguidade os cristãos pagavam para libertar escravos ou trocavam-se por prisioneiros inocentes.

Enterrar os mortos.
Cristo não tinha lugar para ser sepultado. Um amigo, José de Arimateia, cedeu-lhe o seu túmulo. Mas não só isso, teve a valentia de se apresentar diante de Pilatos e pedir-lhe o corpo de Jesus. Nicodemos também participou. ajudando a sepultá-lo. (Jo. 19, 38­42). Enterrar os mortos parece um mandato supérfluo. porque - de facto - todos são enterrados. Mas, por exemplo. em tempo de guerra, pode ser um mandato muito exigente. Porque é importante dar sepultura digna ao corpo humano? Porque o corpo humano foi alojamento do Espírito Santo. Somos "templos do Espírito Santo" (1 Cor 6,19).

As obras de misericórdia espirituais são:

Dar bom conselho;
Ensinar os ignorantes;
Corrigir os que erram;
Consolar os aflitos;
Perdoar as injúrias;
Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
Rogar a Deus por vivos e defuntos.

 

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. "Das obras de misericórdia")

 

Cada um dentro de suas possibilidades e dons, pode em diversos momentos da vida fazer obras de misericórdia.

Para uns é mais fácil visitar os doentes, para outros é mais fácil ensinar os ignorantes. Mas para todos, em alguma fase da vida, surgirão os momentos de "perdoar as injúrias" e "sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo".

Fonte: http://opusdei.pt/pt-pt/article/obras-misericordia-jubileu-2015/(adaptado)